Notícias 2011
# Cineasta iraniano Mohsen Makhmalbaf fala sobre tortura e perseguição
Reportagem coletada na íntegra de GABRIELA LONGMAN
FOLHA UOL 21/10/2011 08h06 - SÃO PAULO
Depois de deixar Teerã, em 2005, morar na França e na Inglaterra, o diretor de "Salve o Cinema" ou "A Caminho de Kandahar" prefere, por segurança, não dizer onde vive. Oposicionista do regime de Mahmoud Ahmadinejad, foi ameaçado, até a vida se tornar "inviável" para sua família -aos 54 anos, é pai de Hana, 23, e Samira, 31, também cineastas.
Mas quem quiser encontrá-lo já sabe onde. No fim do mês, ele desembarca em Porto Alegre para uma conferência do projeto "Fronteiras do Pensamento".
Em São Paulo, pretende se reunir com cineastas brasileiros para pedir que o governo se posicione contra o Irã nos fóruns internacionais de direitos humanos.
Na entrevista abaixo, feita por e-mail, ele falou à Folha sobre cinema e intolerância.
Folha - O que mudou no panorama cinematográfico com o regime de Ahmadinejad?
Mohsen Makhmalbaf - Filmar ficou muito mais difícil. Antes, censuravam os filmes, mas não prendiam nem torturavam os cineastas, e as atrizes não eram açoitadas na prisão.
Quando os cineastas se propunham a filmar fora do Irã, não eram ameaçados nem sofriam atos de violência, como o cometido contra minha filha Samira no Afeganistão: uma bomba explodiu no set de filmagem, matando um membro da equipe e ferindo 20 pessoas.
Como o novo contexto afetou sua trajetória?
Há anos não posso mais filmar no país. Mas, além disso, o governo iraniano começou a criar mecanismos para atrapalhar a divulgação dos filmes no circuito internacional -ofereceram dinheiro ao Festival de Roma para que meu filme "Sex & Philosophy" não fosse exibido.
Soubemos que terroristas haviam recebido ordens de ir à França nos matar.
Durante meses, a polícia francesa cuidou de nós, até que a situação se tornou insuportável.
O sr. mantém contato com Jafar Panahi ou Mojtaba Mirtahmasb [diretores de "Isto Não É um Filme"]? Qual é a situação atual deles?
Mirtahmasb foi meu assistente, hoje está em uma solitária. Nem mesmo sua mulher consegue falar com ele.
Jafar Panahi estava em prisão domiciliar, agora foi condenado e será enviado à prisão novamente.
Seu último filme é de 2009. Existe algum novo projeto em curso?
Escrevi roteiros que espero filmar. Minha filha Hana fez dois filmes em segredo no Irã e conseguiu fugir com eles.
Um deles, "Os Dias Verdes", é um documentário sobre as manifestações que se seguiram à eleição fraudulenta de Ahmadinejad, em 2009, e sua brutal repressão.
Ao vê-lo, fica cada vez mais claro que a Primavera Árabe começou no Irã.
Como é sua relação com o Brasil e seus diretores?
Já estive na Mostra de São Paulo como membro do júri e me senti em casa.
Respeito muito o Walter Salles. Na visita ao Brasil espero revê-lo e encontrar outros cineastas, como Arnaldo Jabor e Fernando Meirelles.
Quero que ajudem a pressionar o governo brasileiro a não se abster nos fóruns internacionais de direitos humanos em que o Irã é julgado.
RAIO X: MOHSEN MAKHMALBAF
QUEM É - Nascido no Irã, é escritor, editor e produtor de cinema
FILMOGRAFIA - "Salve o Cinema" (1995), "Um Instante de Inocência" (1996), "A Caminho de Kandahar" (2001) e outros
FAMÍLIA - Casado com Marziyeh, é pai de Samira, Maysam e Hana; os cinco trabalham com cinema
ATIVISMO POLÍTICO - Porta-voz do oposicionista Hussein Mussavi na Europa; militante de direitos humanos
Tradução de FLAVIO AZM RASSEKH
#'Cópia Fiel' traz trabalho premiado de Juliette Binoche
Jornal Estadão em 17 de março de 2011 | 8h 21
Atuação de Juliette Binoche se destaca no novo filme de Kiarostami
#Cópia fiel é um bom filme
Revista Época 30/3/2011 por Paulo Moreira Leite
https://colunas.epoca.globo.com/paulomoreiraleite/2011/03/30/
Noticias 2010
#Vídeo coletiva
Juliete Binoche e coletiva falam da estreia do filme e da prisão de Jafar Panahi. O programa "Metrópolis" é exibido pela TV Cultura de segunda a sexta-feira às 21h40.
mais.uol.com.br/view/xiddtuwnvlqs/metropolis--copie-conforme-de-abbas-kiarostami-em-cannes-04021A336CD4B97366?types=A
#Abbas Kiarostami faz apelo emocionado por libertação de Panahi
G1 em 18/05/2010 09h04 por Diego Asis
Em Cannes para mostrar filme, ele criticou prisão 'sem motivo' de cineasta. Fala do diretor iraniano levou a atriz Juliette Binoche às lágrimas.
#As Estradas de Abbas Kiarostami
Redação em 24/09/10
catracalivre.folha.uol.com.br/2010/09/as-estradas-de-abbas-kiarostami/
Notícias 2009
#Diretor iraniano Abbas Kiarostami apresenta ópera em Londres
Postado pela Folha Online em 15/03/2009 - 17h29
Notícias 2006
#Um livro sobre: "O novo cinema iraniano — arte e intervenção social"
Alessandra Meleiro publicou em 2006, após sua viagem ao Irã.
Qual o papel do cinema na atual sociedade iraniana? Quem influencia quem, o que, como e quando? Como é possível o florescimento da arte cinematográfica numa sociedade islâmica, com um governo altamente repressor e com as verbas aprovadas oficialmente para a produção de filmes? Trata-se de uma relação delicada e intrincada entre as partes envolvidas. Com prefácio de Teixeira Coelho, o livro O Novo Cinema Iraniano — Arte e Intervenção Social aborda todas essas questões de modo profundo e, ao mesmo tempo, interessante.

O prestígio e o sucesso de tantos nomes — de diretores, de filmes, de autores do Irã —, como Abbas Kiarostami e Mohsen Makmalbaf, em evidência na mídia, não são por acaso. Há uma efervescência política e cultural em andamento desde o fim da Guerra Irã-Iraque e a transição de governos. A sociedade amordaçada por tantos anos quer mostrar que seu país não pode ser reduzido a notícias e estereótipos divulgados pelas grandes redes de comunicação, principalmente as ocidentais. Também não se molda àquela imagem veiculada pelo governo nas propagandas políticas. O universo iraniano é muito mais complexo e rico.
Os filmes analisados por Alessandra Meleiro, que realizou três meses de pesquisa de campo no Irã, evidenciam a substituição de políticas culturais de enquadramento ideológico por outras de visões pluralistas e revolucionárias, a substituição de velhos valores pelos novos, apontando as contradições da sociedade.
O Novo Cinema Iraniano — Arte e Intervenção Social conduz a diferentes olhares, a diferentes mundos e verdades. Política, cultura, religião e arte com pontos e contrapontos de história a serem desvendados página a página.
Sobre a autora
Alessandra Meleiro é pós-doutoranda pela Faculdade de Economia e Administração (FEA), da USP, com o tema "Estrutura e dinâmica da circulação internacional de produtos audiovisuais". É doutora em Cinema e Políticas Culturais pela ECA/USP e mestre em Multimeios pelo Instituto de Artes/Unicamp. A autora ministra aulas no Master Audiovisual Business Administration, no Istituto Europeo di Design, em São Paulo, e é membro da Society for Cinema and Media Studies da University of Oklahoma. Atualmente, é Reseach Fellow da University of London — Faculty of Arts and Humanities. Colabora com artigos sobre cultura e análise internacional para os jornais Folha de São Paulo (cadernos Mais! e Ilustrada) e Valor Econômico e para a revista Carta Capital. Atua ainda como curadora e produtora de projetos culturais e audiovisuais junto a instituições como Sesc-São Paulo, Itaú Cultural e Centro Cultural Banco do Brasil.
Título: O novo cinema iraniano — arte e intervenção social
Autora: Alessandra Meleiro
Prefácio: Teixeira Coelho
Gênero: Cinema
ISBN: 85-7531-212-X
Formato: 16 x 23 cm, brochura
Páginas: 160
Preço: R$ 30,00
Apoio: FAPESP
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